Não seremos calados
Onde a liberdade finca raízes nenhum vendaval autoritário lhes arrancará do chão: nota da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro - Contraf-CUT
O candidato à Presidência da República Flávio Nantes Bolsonaro ajuizou “Ação de Investigação Judicial Eleitoral por Abuso do Poder Econômico e do Poder Político e por uso indevido dos meios de comunicação social, com pedido de tutela de urgência”. Imputando levianamente uma série de acusações às entidades sindicais como a CUT, a Contraf, a FUP, a CNTE, além de vários sindicatos de bancários, como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia dentre outros, e movimentos sociais como a União Nacional dos Estudantes e a CMP do movimento de moradia. Além disso cita também nominalmente vários dirigentes sindicais.
O que o candidato Flávio Bolsonaro quer é censurar e silenciar entidades e dirigentes sindicais tentando impedir que tais entidades e dirigentes cumpram seu papel constitucional, legal e estatutário de debater as pautas de interesse da classe trabalhadora em geral e dos bancários, em especial.
Salta aos olhos a coincidência do ajuizamento de tal ação exatamente no dia em que o fim da escala 6x1 foi aprovado no Senado Federal, se constituindo num marco histórico nas relações de trabalho do país.
Debater, discutir e, até mesmo, criticar as propostas de todos os candidatos no que se refere ao país de modo geral e às relações de trabalho, de modo especial, é o papel das entidades e dirigentes sindicais que têm defendido a pauta da classe trabalhadora, inclusive contra as privatizações defendidas pelo candidato. Tentar impedir que isso ocorra é claramente censura e violação ao sagrado direito de liberdade de expressão.
Tal conduta só encontra paralelo nas ditaturas, como a que assolou nosso país por mais de 20 anos, onde dirigentes eram presos, torturados e mortos e suas diretorias eram dissolvidas com a colocação de interventores à frente das entidades sindicais. Nesta época de triste memória, a liberdade de expressão deixou de ser garantida sendo, ao contrário, violada sistematicamente.
Tal intenção, mal disfarçada, não conseguirá nos calar. Onde a liberdade finca raízes nenhum vendaval autoritário lhes arrancará do chão.
Que o candidato Flávio Bolsonaro apresente suas ideias e planos de governo ao escrutínio público, sem que tente calar aqueles que têm obrigação de defender a classe trabalhadora.
Contraf-CUT



