Mulheres no poder: por que incomodam tanto?
Em solidariedade às coordenadoras do Comando Nacional: Juvandia Moreira e Neiva Ribeiro
As coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira e Neiva Ribeiro, foram alvo de ataques e ofensas de caráter misógino em razão de sua atuação na linha de frente das negociações e da representação da categoria. Em solidariedade às dirigentes e em defesa do respeito às mulheres que ocupam espaços de liderança, a secretária da Mulher da Contraf-CUT, Fernanda Lopes, escreveu o manifesto "Mulheres no poder: por que incomodam tanto?", que a Contraf-CUT publica na íntegra.
Por Fernanda Lopes, secretária da Mulher da Contraf-CUT
Quando uma mulher assume uma posição de comando e age com firmeza, a cobrança vem em dobro. Se toma decisões duras, é rotulada como "agressiva". Se adota uma postura empática, é vista como "fraca". O homem na mesma posição, por outro lado, é aclamado como um líder nato.
São dois pesos e duas medidas, revelando que estruturalmente, em nossa sociedade, o poder sempre pertenceu aos homens.
Para além da desigualdade colocada, quando esta dupla moral vem acompanhada de ofensas, ódio e discriminação, baseadas em gênero, o nome disso é Misoginia
No setor bancário, onde as mulheres são cerca de metade da categoria e altamente qualificadas, os cargos de direção continuam predominantemente masculinos. Elas ganham menos, enfrentam mais barreiras para subir na carreira e lidam diariamente com o questionamento de sua capacidade técnica.
Esse preconceito também se repete no movimento sindical e na política institucional. Quando as trabalhadoras assumem a linha de frente de sindicatos e governos, enfrentam forte resistência para impor sua voz.
A Contraf-CUT tem atuação firme nas pautas de igualdade de oportunidades e conquistou cláusulas históricas nos acordos coletivos como o combate ao assédio moral e sexual, combate à violência e instrumentos de promoção de ascensão e da igualdade salarial, pautas que transformam a vida de toda a categoria.
Lutamos também por leis contra misoginia na internet e redes sociais, pois "protegidos" pelo anonimato muitos atacam com discursos de ódio.
A reação contra a liderança feminina mostra que os espaços de decisão ainda são vistos como reservados para os homens.
Ver mulheres em cargos de comando em bancos, sindicatos ou no país transforma a sociedade e abre caminhos para que as próximas gerações não precisem pedir licença para liderar.
É diante desse cenário que repudiamos qualquer tipo de ataque misógino contra as mulheres que são lideranças sindicais. Reafirmamos nosso compromisso com a democracia, o respeito às posições divergentes e o debate de ideias construído com argumentos legítimos. Não aceitamos as ofensas, o desrespeito e a misoginia.
Fonte: Contraf-CUT
Veja também: NOTA DE REPÚDIO A MISOGINIA E SOLIDARIEDADE A JUVANDIA E NEIVA



