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27 de Agosto de 2026 às 21:36

Comando Nacional derrota propostas de arrocho salarial

Proposta da Fenaban avança para reposição total da inflação, mas ainda é insuficiente; Negociações continuam nesta sexta (28), por aumento real e avanços nas mesas específicas

Pela primeira vez, desde o início da Campanha Nacional da categoria bancária, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou uma proposta de reajuste sem arrocho nos salários e demais verbas, porém ainda sem aumento real. O reajuste proposto avançou para a reposição total da inflação (100% do INPC, estimado em torno de 4%, para o período de 12 meses encerrado em 31 de agosto).

O índice seria aplicado para todas as cláusulas econômicas (salários e demais verbas), menos nos vales alimentação (VA) e refeição (VR), que seriam reajustados pelo IPCA, da seguinte forma:

- VA: reajuste conforme inflação para “alimentação em domicílio”, medida pelo IPCA, com estimativa de 2,99% para a data-base da categoria; Com esse reajuste, a perda real no VA seria de 1,1% em relação ao INPC.

- VR: Reajuste salarial conforme a inflação da “refeição fora do domicílio”, medida pelo IPCA, com estimativa de 4,39% para a data-base da categoria.

“Somos mais de 400 mil bancários de todo o país, de bancos públicos e privados, e as negociações são complexas. A Fenaban fica argumentando que cada 1% de reajuste significa acréscimo de R$ 1 bilhão nos custos salariais. Mas esse cálculo não justifica impor arrocho salarial, porque do outro lado os lucros seguem altos”, reforçou Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários.

Mais avanços

O Comando também avançou em relação à PLR. No lugar da proposta anterior de congelamento, a Fenaban apresentou a correção do INPC, nos tetos e nas parcelas fixas da PLR. “Mas é insuficiente para as nossas reivindicações: queremos a valorização da PLR, com melhoria na parcela adicional, de modo que os bancos distribuam um percentual maior dos seus resultados para toda a categoria", pontuou Juvandia Moreira.

“Impedimos, ainda, o congelamento de verbas e a retirada de direitos, que os bancos tentaram por várias rodadas, como por exemplo, da gratificação de caixa, alegando que a função de caixa está em extinção”, destacou a dirigente. “E, hoje, além de derrubar as propostas de arrocho, avançamos nas negociações sobre indenização adicional e recolocação no mercado de trabalho, dos bancários demitidos devido ao fechamento de agências”, completou.

Outros avanços do Comando Nacional ao longo das rodadas anteriores foram negociações na RN-1; na proteção dos trabalhadores em relação à gestão ética da tecnologia (monitoramento digital não invasivo); no direito à desconexão; e nas cláusulas de combate ao assédio.

O Comando e a Fenaban voltam a negociar nesta sexta-feira (28), comprometimento dos bancos de trazerem uma nova proposta de reajuste. “Vamos seguir lutando por aumento real”, pontuou Juvandia.

A também coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro, reforçou: “Vencemos o intuito dos bancos de impor um arrocho salarial, apesar da sua estratégia de postergar as negociações para uma data cada vez mais próxima da nossa data-base, se valendo do fim da ultratividade, aprovada na reforma trabalhista. Vencemos essa estratégia graças a nossa mobilização, a participação da categoria nas plenárias, na paralisação do dia 20, nossa unidade nacional e nossa capacidade de negociação. Porém, o índice ainda não é suficiente para valorizar os trabalhadores de um dos setores mais lucrativos da economia. Rejeitamos a proposta e reforçamos, mais uma vez, que a categoria espera valorização real para salários, VA, VR e PLR”, enfatizou.

Fonte: Contraf-CUT



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