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29 de Agosto de 2026 às 19:16

Categoria garante aumento real, mantém direitos e alcança novas conquistas; Proposta será submetida às assembleias

Proposta aplica aumento real em todas as cláusulas econômicas (incluindo salários, va/vr e PLR) e traz avanços no combate ao assédio, nos cuidados e proteção com a saúde mental da categoria (a partir da NR-1), o direito à desconexão e encarecimento das demissões

Após um mês e meio de exaustivas negociações, o Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários conseguiu derrotar a tentativa dos bancos de impor reajuste abaixo da inflação, que resultaria em perdas reais aos bancários, nos salários e em todas as verbas. A categoria garantiu a reposição total da inflação (INPC) mais aumento real de 0,6% para 2026 e 2027. A proposta agora será submetida às assembleias das 19h de quinta-feira (3) às 19h de sexta-feira (4) (Horário de Brasília).

O reajuste será aplicado não só aos salários, como também nas demais verbas, incluindo vales alimentação (VA), refeição (VR), auxílio creche/babá e Participação nos Lucros e Resultados (PLR), tanto na regra básica quanto na parcela adicional.

Uma das batalhas desta negociação, com muita participação da categoria, foi para manter a mesa única, constantemente atacada pela Fenaban.

O ano 2004 foi o início da mesa única de negociação. Se aprovado nas assembleias, desde então até 2027, a categoria acumulará um reajuste total de 286,5% nos salários, sendo 25% de ganho real. Nos pisos o ganho real será de 47,1%.

"Foram 13 rodadas exaustivas. Os bancos tentaram dividir a mesa de negociação, retirar direitos, congelar verbas e impor reajuste abaixo da inflação. Mantivemos a unidade avançamos para o aumento real e em temas de saúde, melhores condições de trabalho e no encarecimento das demissões”, destacou Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional, ao final da última rodada, que começou no início da sexta-feira (28), se estendeu pela madrugada e terminou no sábado (29).

“Sabemos que a categoria tinha uma expectativa de aumento real maior. Foram 13 rodadas exaustivas, onde negamos propostas de reajustes abaixo da inflação, até conseguir a reposição e aumento real. Também enfrentamos a tentativa dos bancos de dividir a mesa de negociação, retirar direitos, congelar verbas, protegendo todos os direitos da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria, que tem 85% de suas cláusulas com direitos superiores ou sequer previstos em lei”, completou Juvandia, que também é presidenta da Contraf-CUT.

Além do avanço nas cláusulas econômicas, a categoria avançou em cláusulas relacionadas à:

- Saúde mental: Participação dos sindicatos no Programa de Gerenciamento de Riscos Psicossociais, da nova Norma Regulamentadora nº 1 (RN-1), com objetivo de reduzir o adoecimento mental na categoria.

- Combate ao assédio: O banco disponibilizará o canal de combate ao assédio moral e sexual (e conquistado da Campanha Nacional de 2024) para receber também denúncias sobre atos praticados por clientes contra os funcionários.

- Monitoramento digital: Transparência e limites à vigilância a partir de ferramentas de monitoramento digital no trabalho, direito à feedback e gestão humana, com o objetivo da gestão ética da tecnologia, para proteção aos bancários.

- Direito à desconexão: Para que bancários e bancárias tenha seu tempo fora da jornada de trabalho respeitado, por exemplo, não sendo obrigados a atender ou responder mensagens fora da jornada de trabalho, seja de clientes, seja de gestores.

- Paralisação do dia 20 de agosto: A Fenaban garantiu abono do dia de paralisação para as bases que aprovarem as propostas nas assembleias.

Programa de indenização, qualificação e recolocação no mercado de trabalho

Foram acordadas duas medidas, em casos de bancários demitidos devido ao fechamento de agências.

A primeira é a contratação da Gi Group, consultoria internacional, que irá elaborar planos para cada trabalhador, com diagnósticos, entrevistas e planos de qualificação e recolocação individualizados.

Os trabalhadores terão ainda acesso a uma plataforma de cursos para requalificação, sendo cadastrados em um banco de talentos, com empresas de todo o Brasil. Assim a consultoria irá conectar trabalhadores a empresas, conforme as suas competências.

A segunda medida é o aumento da indenização adicional, além do já previsto na CCT, conforme tabela abaixo:

Entre janeiro de 2015 e maio de 2026, os bancos fecharam 9,5 mil agências. E, somente no primeiro semestre de 2026, foram encerradas 669 agências no Brasil, pelos os maiores bancos do país. “Esta é uma importante conquista para encarecer as demissões, realocar o trabalhador demitido no mercado de trabalho e oferecer uma compensação financeira. É mais dinheiro no bolso do bancário em um momento que sabemos ser delicado na vida de qualquer pessoa”, Juvandia Moreira.

“A preservação de todos estes direitos, além de novos avanços incluídos nas cláusulas sociais, é fruto da nossa unidade nacional, mobilização e capacidade de negociação. Foi a categoria unida, bancários de bancos públicos e privados, espalhados por todo o país e representados pelo Comando Nacional, que protegeram a nossa CCT nesta campanha e evitaram o arrocho salarial”, completou a também coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro.

Assembleias

“Em um cenário no qual a categoria não conta com a ultratividade (garantia da validade de um acordo coletivo de trabalho, além da sua vigência, até a assinatura da sua renovação - direito esse retirado na Reforma Trabalhista de 2017), ao fim do processo negocial, garantir aumento real, manutenção de todos os direitos e conquistas de novas cláusulas é um saldo positivo para a Campanha dos Bancários 2026”, destacou Juvandia Moreira.

Portanto, Comando e Contraf-CUT orientam que todos participem das assembleias, que serão realizadas das 19h de quinta-feira (3) até às 19h da sexta-feira (4) (Horário de Brasília), precedidas de plenárias de esclarecimentos e debates da CCT.

Além impedir arrocho salarila, os bancários também enfrentaram tentativa de romper a mesa única, de acabar com agratificação de função de caixa, de congelamento da PLR, além de outros direitos.

A inflação (INPC) para a data-base dos bancários (1º de setembro) será divulgada no dia 11 de setembro, quando será possível definir qual será o reajuste total (INPC + 0,6% de aumento real) para salários e demais verbas em 2026.

Fonte: Contraf-CUT



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