Jornada de 12 horas e retirada de direitos na Argentina mostra riscos da extrema direita para os trabalhadores
Greve Geral e protestos na Argentina contra a reforma trabalhista do governo Javier Milei que ataca direitos dos trabalhadores argentinos
A Argentina enfrentou na última quinta-feira (19) a quarta greve geral do governo de Javier Milei contra a reforma trabalhista que retira direitos dos trabalhadores. A adesão ultrapassa 90% em todo o país segundo reconhece a própria imprensa internacional.
Voos foram cancelados, transportes públicos paralisados e as ruas foram tomadas por protestos. O projeto do governo de extrema direita de Javier Milei amplia a jornada para até 12 horas e restringe direitos. A paralisação de 24 horas começou à meia-noite no mesmo dia em que ocorreu o debate do projeto na Câmara dos Deputados, após aprovação no Senado na semana passada.
A população atendeu à convocação da Confederação Geral do Trabalho (CGT) e parou o país.
Há diversos relatos de trabalhadores que votaram em Milei mas admitem terem se arrependido e aderiram ao movimento grevista organizado pelos sindicatos, afetando comércio, indústria e serviços.
Há protestos também em frente ao Congresso Nacional argentino.
Enquanto o povo argentino protesta contra a reforma de Milei, o FMI (Fundo Monetário Internacional) que representa os interesses dos bancos e especuladores, apoia a reforma trabalhista alegando ser necessária a mudança "para que o sistema financeiro possa oferecer crédito ao país e o governo reduza a informalidade".
Voos cancelados
A Greve Geral impactou de imediato na aviação. A Aerolíneas Argentinas cancelou 255 voos, afetando cerca de 31 mil passageiros e com impacto econômico estimado em US$ 3 milhões. No Brasil, ao menos 62 voos foram suspensos entre chegadas e partidas nos aeroportos do Galeão, no Rio, e de Guarulhos, em São Paulo.
Até futebol foi afetado
Além dos aeroportos, a greve paralisou trens e metrôs, fechou bancos e reduziu a atividade comercial e produtiva.
Até jogos da Liga Profissional de Futebol também foram suspensos.
Apenas alguns setores específicos e trabalhadores autônomos mantiveram atividades. Poucas linhas de ônibus circulam na capital Buenos Aires.
O que perdem os argentinos
Se aprovado o projeto da extrema direita argentina, além de elevar a jornada para 12 horas sem pagamento de horas extras e fragmentar as férias, a proposta restringe o direito de greve, exigindo que setores essenciais mantenham entre 50% e 75% dos serviços; reduz as indenizações em casos de demissão e o montante pode ser pago em até 12 parcelas e põe fim à obrigação das negociações coletivas.
Lição para os brasileiros
A Greve Geral na Argentina deixa duas lições aos brasileiros: eleger a extrema direita é a certeza de ataques aos direitos trabalhistas, o que torna fundamental em 2026 eleger um presidente compromissado com a pauta da classe trabalhadora, que passa pela reeleição do presidente Lula e de parlamentares que também defendem os interesses e projetos populares. A segunda lição é a importância da organização da população em sindicatos e entidades do movimento social para defender empregos e direitos coletivos.
Fonte: Seeb Rio de Janeiro – Por Carlos Vasconcellos



