Saúde

3 de Dezembro de 2019 às 10:54

Pesquisa mostra que suicídio na categoria bancária é questão urgente

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Brasília (UnB) revela que, entre 1996 e 2005, 181 bancários cometeram suicídio, média de um suicídio a cada 20 dias. Os dados de mais de 10 anos atrás tornam o cenário atual ainda mais assustador.

A Associação Brasileira de Psiquiatria estima que até 2020 poderá ocorrer um aumento de 50% na incidência anual de mortes por suicídio em todo o mundo. O número já ultrapassa a quantidade de mortes decorrentes de homicídio e guerra combinados.

O Brasil é o oitavo país em número de suicídios, registrando 30 suicídios por dia. A cada suicídio ocorrem 11 tentativas não consumadas, quase 4 milhões de casos por ano. Dessas pessoas, 20% não procuram ajuda especializada, tampouco tratamento, e por isso repetem a tentativa no prazo de um ano.

Segundo o Observatório do Participante, no Brasil as ocorrências na categoria bancária têm se intensificado nos últimos, pelo menos, vinte anos, fruto da reestruturação produtiva e do novo perfil do trabalho bancário, cada vez mais intenso e estressante. Na Caixa, em especial, diversos casos foram registrados recentemente, todos eles no ambiente de trabalho.

Pesquisas e estudos sobre o adoecimento mental no ambiente de trabalho revelam que há um padrão a ser seguido por possíveis suicidas que se baseiam num ciclo: reestruturação produtiva – pressão psíquica sobre o trabalhador por intermédio de práticas administrativas – suicídio.

As metas inatingíveis no setor bancário ainda favorecem o sentimento de insegurança, medo, autoexigência e a solidão por parte dos trabalhadores.

O movimento sindical avalia que no Brasil, as ocorrências na categoria bancária têm se intensificado nos últimos, fruto da reestruturação produtiva e do novo perfil do trabalho bancário, cada vez mais intenso e estressante. Na Caixa, em especial, diversos casos foram registrados recentemente, todos eles no ambiente de trabalho.

A ausência de uma efetiva política de Estado somada à irresponsabilidade e a ganância dos grandes empresários, em especial os banqueiros, tem agravado o problema e contribuído para o fato de que, nos últimos anos, os índices brasileiros de atentados contra a própria vida têm aumentado, em sentido contrário ao que ocorre na maioria dos países.

Quantos colegas mais precisam se matar para que a Caixa resolva discutir seriamente com as instâncias representativas dos empregados uma política de prevenção? Os dados de adoecimento mental e assédio moral não deixam dúvidas que o suicídio na categoria bancária é uma tragédia anunciada, acrescenta a Diretora de Saúde e Previdência da Fenae, Fabiana Matheus.

Não Sofra Sozinho!

O movimento sindical vem trabalhando incansavelmente para prevenir e reverter esse cenário tão assustador e triste. Com a campanha “Não Sofra Sozinho”, a Fenae, com o apoio do Sindicato e demais entidades representativas, lança o projeto de prevenção ao adoecimento mental no trabalho com coordenação da pós-doutora, psicóloga e professora da UnB, Ana Magnólia Mendes. O estudo, parte da campanha “Não Sofra Sozinho”, vai subsidiar os dirigentes para proposição de políticas e práticas sindicais e institucionais de prevenção das psicopatologias do trabalho na Caixa.

Se você sofrer ou presenciar alguma atitude abusiva por parte dos gestores com você ou algum colega, denuncie ao Sindicato!



Sindicato dos Bancários de Dourados e Região - MS

Rua Olinda Pires de Almeida, 2450 Telefone 0xx67 - 3422 4884